O Julgamento - Parte II
(O rapaz nu enforcado se senta de fronte ao juiz)
- Qual o seu nome, rapaz? (diz o juiz austeramente)
(O rapaz tenta falar, mas só se ouvem sussurros e grunhidos. O Promotor se dirige até a testemunha e afrouxa o nó da corda em seu pescoço. A plateia murmura sons irreconhecíveis)
- Meu nome é Buck, senhor! (fala em uma voz rouca)
- E qual seu grau de relacionamento com o réu Peter, Senhor Buck?
- Nós éramos... amigos (ele se vira e encara réu Peter). Mas não somos mais.
- E oque abalou a amizade do senhor com o réu?
(o rapaz tenta afrouxar um pouco mais a corda com o dedo indicador)
- Nós fazíamos tudo juntos, sempre! Mas ele começou a andar com um pessoal estranho, sabe?!
- Estranhos como, Senhor Buck?
- Afeminados e perdedores, doutor! (a plateia murmura novamente. Ouve-se: afeminados e perdedores)
(O juiz Peter pede silencio novamente) - Continue, senhor Buck.
- Bem, então a gente fazia tudo junto: eu, ele e outro cara. Daí ele começou a agir estranho, não andar com a gente, não encarava as mesmas paradas. Começou a defender este povo. Daí tudo acabou!
- A testemunha pode ser arguida pelo Promotor (diz o juiz, enquanto vira uma ampulheta)
(O promotor Peter se levanta, arruma a capa e começa a gesticular enfaticamente enquanto fala, às vezes chegando a curvar-se)
- Irei direto ao ponto, meritíssimo: Senhor Buck, o senhor considera o réu Peter culpado pelo seu enforcamento?
(a plateia murmura. O juiz os manda parar. O advogado de defesa Peter se levanta e diz)
- O promotor esta induzindo a testemunha, meritíssimo! Desta maneira parece que o réu enforcou a testemunha com as próprias mãos, sendo que sabemos que ele cometeu o ato sozinho!
(O promotor Peter solta uma gargalhada, curvando-se para trás)
- Realmente o réu não atou o nó! Mas ofereceu a cadeira!
(Novos murmúrios e novamente o juiz intervém. Réu Peter se levanta e fala)
- Ele mereceu! Ele transformava a vida das pessoas num inferno! Ele teve o que mereceu! Ele é doente!
(A plateia urra. O juiz Peter aferrece. O promotor Peter gargalha. o Advogado de defesa Peter força o cliente a sentar-se novamente)
- Veem, senhores do juri?! O réu acredita que pode decidir quem vive, quem morre e até mesmo o que pensam e sentem! O acusação já não tem mais perguntas á testemunha, meritíssimo!
(olha-se para cima e 13 Peters pintados como afrescos se movimentam pelo teto, cochichando entre si)
- A testemunha é agora do advogado de defesa, Doutor Peter. (diz o juiz, enquanto examina papéis)
(O advogado de defesa Peter se levanta, arruma as vestes. Esta nitidamente nervoso)
- Senhor Buck. O senhor pode me dizer que tipo de atos o senhor perpretava com ajuda de seus amigos? Devo lembrá-lo que temos acesso à todas as imagens, senhor.
(A testemunha começa a murmurar coisas sem sentido. O promotor Peter diz que a testemunha esta confusa pela própria morte e por encarar seu inquisidor. a Plateia murmura. O advogado de defesa Peter aponta para o alto e as imagens são projetadas no afresco)
(Imagens de Buck urinando em Mihael. Imagens de Buck batendo em Peter. Imagens de Buck batendo em Mihael. Imagens de Buck penetrando Chad. Várias imagens de Buck maltratando diversas crianças diferentes. Imagens de Buck batendo na madre superiora. A plateia exclama: OH!)
- Como pode ver, meritíssimo, o réu já mostrava sinais de descontrole de diversas formas. Meu cliente apenas quis faze-lo provar do próprio remédio! O senhor Buck não suportou e associado à invasão nazista, tirou sua própria vida.
(A plateia urra. o juiz mate o martelo mandando-os silenciarem-se. Alguém atira um coração humano contra o réu. Shoshana é retirada à força pelo policial Peter. O Advogado de defesa Peter continua:)
- Nenhuma das ações feitas pelo meu cliente são de sua responsabilidade. Há diversos fatores envolvidos! A infância traumática, o abandono, a desconfiança e principalmente, O ESPECTRO!
(A plateia volta a se manifestar. O juiz Peter bate o martelo e chama)
- Que entre a segunda testemunha! O Espectro!
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